Tel: (11) 2533-0830 / (11) 2537-0830

Entre em contato para realizar o seu agendamento.

Espondiloartrites

 

                   Englobam algumas doenças distintas, mas que compartilham alguns aspectos relevantes como o acometimento da êntese, a associação com sacroiliíte e o HLA-B27. Além disso, podem apresentar envolvimento:

- Coluna (dor em qualquer ponto da coluna vertebral, da cervical às sacroilíacas. Tradicionalmente, o ritmo da dor pode ser inflamatório, caracterizado por dor em repouso, rigidez matinal e alívio com as atividades. No entanto, qualquer dor na coluna vertebral com mais de três meses de duração deve ser avaliada para a possibilidade de espondiloartrite axial;

- Periférico (artrite, entesite ou dactilite. Em geral, com acometimento assimétrico, especialmente de grandes articulações dos membros inferiores),

- Extra-articulares (uveíte anterior aguda recorrente; colite; lesões de pele, especialmente psoriasiforme; e do trato genitourinário, incluindo uretrite e balanite).

                   Fazem parte do grupo das EpA: Espondilite Anquilosante (EA), Artrite Psoriásica (AP), Artropatias Enteropáticas (AE), Artrite Reativa (ARe) e Indiferenciadas (EI).

Espondilite Anquilosante

                   É uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente o esqueleto axial (coluna vertebral e sacroilíacas), mas também as articulações periféricas. Além disso, pode ter envolvimento extra-articular, como olhos (olho vermelho e uveíte anterior), intestino (colite), e pele (psoríase) e genitais (corrimento uretral e inflamação da glande, chamada de balanite).

                   Tem prevalência de 0,3 a 0,5% e acomete predominantemente os homens, na proporção de 2 a 3 para cada mulher, com maior incidência no adulto jovem (20 aos 45 anos de idade). A história natural é a progressão para anquilose das ênteses, em especial da coluna vertebral, sacroilíacas e quadris, com consequente rigidez e limitação funcional das articulações envolvidas, com o maior tempo de doença.

                   Existe forte associação com o HLA-B27, em especial em pacientes de origem branca, chegando a 90% de positividade. Na etnia negra e amarela, a prevalência do B27 é baixa.

Quadro Clínico

                   As principais manifestações clínicas são:

- Axial: dor nas costas, principalmente lombalgia baixa, de ritmo inflamatório, com início insidioso e curso persistente por mais de três meses. A dor é, geralmente, ascendente com a progressão dos anos e um dos sinais clínicos inicial é a retificação da lordose lombar. Ocorre formação de sindesmófitos, ossificação gradual das camadas superficiais do ânulo fibroso, formando pontes ósseas intervertebrais.

- Sacroiliíte: dor em nádegas ou glúteos, alternante, podendo irradiar para coxa até o joelho, geralmente bilateral, pior com repouso.

- Entesite: pode ocorrer nos ligamentos e cápsulas, bem como nos ligamentos interespinhais e paravertebrais. Causa dor e rigidez, com restrição da mobilidade das articulações e, com a progressão e ossificação, ocasiona a “coluna em bambu”. Pode ocorrer, ainda, na fáscia plantar e tendão de calcâneo.

- Artrite: envolvimento periférico pode ocorrer em 30-50% dos casos, atingindo mais quadril, joelhos, tornozelos, ombros, MTFs. Menos comum, em mãos, punhos, pés e ATM. Geralmente oligoarticular, assimétrica, episódica.

                   O tratamento se baseia no alívio da dor, rigidez e fadiga, bem como manutenção da postura, mobilidade, flexibilidade e funcionalidade. Além disso, procura-se evitar a progressão do dano estrutural e melhorar a qualidade de vida.

a) Modalidades não medicamentosas:

- Atividade física/ Exercícios/ Educação: grupos de exercícios, balneoterapia, exercícios para manutenção de função e postura, travesseiro baixo e dormir reto, exercícios respiratórios, aeróbios e resistidos e, principalmente, alongamentos.

b) Modalidades medicamentosas:

- Anti-inflamatórios não hormonais – diminuem os sintomas e o uso contínuo é indicado para pacientes com pior prognóstico e maior risco de progressão do dano estrutural.

- Sulfasalazina: Usada em casos de artrite periférica e prevenção de surtos recorrentes de uveíte, bem como em casos com envolvimento colônico documentado (colite).

- Metotrexato (MTX) – podem melhorar o quadro periférico e controla a uveíte.

- Terapia anti-TNF ou imunobiológica com bloqueadores do TNF (fator de necrose tumoral): Para pacientes que não respondem ao tratamento anterior e permanecem em atividade da doença. Melhoram sinais e sintomas, a função, mobilidade e qualidade de vida.

 

Artrite Psoriásica

                   A psoríase (Ps) é uma doença inflamatória cutânea que apresenta lesões eritematosas e descamativas, geralmente em superfícies extensoras, mas pode acometer couro cabeludo, áreas flexoras, palmas e plantas e áreas escondidas (nádegas, mamas, genitais). Afeta comumente as unhas.

Cerca de 1/3 dos pacientes com psoríase desenvolvem artrite crônica, especialmente aqueles com doença ungueal. Prevalência de psoríase é de 1 a 3% da população e de AP é de 0,3 a 1%.

Quadro Clínico

                   A AP acomete tanto articulações periféricas quanto o esqueleto axial. Podem ser divididas didaticamente em 5 grupos:

- Predominantemente articulações interfalângicas distais (IFDs) de mãos e pés: Embora pouco frequente (10 a 15%), é considerada uma forma clássica da doença e está associada ao comprometimento de unhas (80 a 90%).

- Oligoartrite periférica assimétrica (< 4 articulações). Em geral, acometem grandes articulações dos membros inferiores como joelhos, associadas ao comprometimento de IFPs ou MTFs. Também pode estar presente a tenossinovite dos flexores dos dedos (“dedos em salsicha”), ou a dactilite.

- Poliartrite (ou reumatoide-símile por ser indistinguível da artrite reumatoide): Forma mais frequente do envolvimento articular da AP. Caracteriza-se por poliartrite simétrica de pequenas e grandes articulações.

- Axial (5-15%): Forma clínica mais rara, embora possa haver comprometimento radiográfico da coluna e das sacroilíacas em 20-25% dos pacientes com Ps. Ocorre sacroiliíte e/ ou espondilite, com envolvimento assimétrico, como observado nas artrites reativas. Maior tendência do surgimento de sindesmófitos em uma das margens laterais dos discos e em qualquer nível, grandes, grosseiros e não marginais (tipo “alça de jarro”).

- Artrite mutilante (5%). Caracterizada por poliartrite destrutiva grave e deformante, com anquilose de articulações, osteólise das falanges e metacarpos, bem como deformidade em telescópio. A imagem radiográfica de “pencil in cup” ou lápis na taça é muito característico da AP.

                   O tratamento é feito com:

- Anti-inflamatórios não hormonais: A maioria dos pacientes pode ser tratada apenas com esses agentes. No entanto, alguns deles podem exacerbar as lesões de pele como AAS, indometacina e oxicans.

- Corticoides: Injeções intra-articulares também são úteis em articulações que são resistentes aos anti-inflamatórios. O uso sistêmico deve ser evitado, uma vez que pode exacerbar o quadro cutâneo após a descontinuação do corticoide (“efeito rebote da retirada”) e precipitação de formas eritrodérmicas.

- MTX e leflunomida: Melhor para o quadro de artrite, entesite e dactilite

- Ciclosporina: eficaz para o controle da doença cutânea, sobretudo na forma eritrodérmica, e articular.

- Bloqueadores do TNF: têm papel importante para melhora do quadro cutâneo e articular.